quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Brecha para a fuga, tiros aos inocentes

    Queria ter escrito menos verdades, queria ter sido menos imprevisível, mas agora querer ou não é absolutamente nada. Ter de perder o controle é tão apaixonante, é abrir os portões da parte animal que me cabe, é me mostrar despudoradamente, sem medo ou receio algum. Você como outro qualquer acredita no valor das minhas letras e acaba por esquecer de todo o valor que há aí dentro, mas o que eu digo sempre é tão banalizado e mal interpretado que me recuso a atender preces de puro interesse pessoal. A incrível falha de se arrepender é sempre guardar para o final, como se o depois fosse solução, mesmo sabendo que não custa entender que agora já é tarde e que já não adianta criar donos ou culpados, todas as imperfeições são de autoria de um só, ou seja, de nós mesmos. "Queridos hipócritas, mando-lhes um beijo e rasgo sua seda, pois juro nunca antes ter visto algo igual ou parecido, talvez pior ou melhor, mas nunca semelhante! parabéns pelas mentes revolucionárias, vocês realmente são gênios egocêntricos, destroem a si mesmos e elogiam-se por isso...que auto-estima invejável! continuem assim, já que agora tudo é tão normal isso será apenas mais um detalhe aceitável como outro qualquer" diz a doce alma numa hora dessas, sem pena alguma de nós, mil vezes mortais e completamente humanos incorrigíveis.

                                                                            Andreza Reis.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

We are golden !!!

     Somos o podre e o que há de pior nessa face, e quando os copos se enchem, as luzes se apagam e as pessoas se tocam sem pudor algum é quando isso mais se reafirma. O veneno nos foi dado, e as doses tomadas são longas e desprezíveis. Somos inúteis, é isso aí! Aplausos para os babacas inventores de ídolos e fiéis às mais infiéis propostas... Somos sujos, ambiciosos e frios, tão frios que chegamos a queimar. A indiferença mora nos olhares explosivos que falam sobre amores, desamores e capacidades intoleráveis... Somos verdadeiros insetos tentando um posto maior, somos o grude, a fala, somos os sentimentos... Somos as palavras concretizadas. Quebramos os telhados, matamos os vivos, pichamos o muro... E agora, quem vai nos deter? Quem vai nos salvar? Hein? Quem vai diminuir nossa pena? Não há motivo algum para nos preocuparmos com isso tudo! Somos apenas mais um especial de sábado à noite: embriagados, enganosos, inconsequentes e rebeldes desaprovados... Mas tão deliciosos que você pagaria pra ver, não pagaria?
                                                                            Andreza Reis.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Keep me in mind

     Andar por essas ruas é a única coisa que tenho feito desde o fim, procurando mil maneiras de fugir das mãos que quebraram os vidros e dos olhos que até ontem transmitiam verdade. Ser só é tão doloroso, é dose de independência misturada com menor idade: você sabe que até pode, mas sempre vai precisar de alguém. Os papéis rasgados eram tentativas frustradas de cartas, de dizer mil amores. Culpa, curioso sentimento... Já disseram-me que a culpa é o arrependimento dos fracos, e espero que seja mesmo, pois desejo muito mais nunca tê-la sentido. Tudo teu é tão meu que deixo que me tome, que faça parte. Acredito em nós dois e continuarei acreditando, o que eu não consigo é nos individualizar, talvez porque você seja a alma, a metade, ou mesmo nós dois por inteiro, e eu já não precise tanto assim de mim.

                                                                            Andreza Reis.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Please, be candy for me!

    "Querida, qual é o seu problema? por que sempre faz tudo assim... Tão errado?" esta pergunta sempre me caiu como uma luva, como essas que a gente compra pra lavar os pratos, e simplesmente guarda na gaveta, as esquece. Canso de toda essa despretensão, e se não for por mim não serei por mais ninguém! Prefiro o açúcar com formigas ao chocolate amargo, e sinceramente não arrependo-me desses azedos enganos. A cafeteria lotada e aquela camisa xadrez me  são tão familiares quanto às músicas dos Monkeys, mas eu prefiro continuar com a cabeça para fora da janela. "Olá, como vai? qual é o seu problema dessa vez?" se eu me deslocasse até lá iriam ser essas as únicas e perfeitas palavras que sairiam de sua boca... Porque ele me conhece como ninguém. E talvez amanhã eu o faça uma visita básica, talvez eu o leve uma caixa dourada cheia de cupcakes...mas só talvez, e só amanhã. Droga! Eu odeio encontrar com o meu terapeuta na padaria!
                                                                          Andreza Reis.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Foge que eu te encontro, que eu já tenho asa

    Oh, silêncio tolo que alimenta a fera desumana, me perco mil vezes em sonhos, pensamentos e tentações. Foi tão barato adquiri-lo, custaram-me apenas algumas lembranças e migalhas de sentimentos embaralhados. Desejei-te todos os dias, reconheci você como o passar do vento, e continuo te estudando... Sinto que demorarei para encontrar-me em você, mas também sei que nunca me encontrarei em outros. As doces e dolorosas lacunas são aos poucos preenchidas, mesmo que com erros, acertos e mil perdões aos meus pés... Nunca senti tanta dor, nem tanto prazer. Acredito tanto em suas promessas que as realizo dentro de mim, mesmo que você não as queira guardar, quero tê-las comigo... Por um bom e valioso tempo. E que todas essas roupas, flores e cartas jogadas ao chão valham mais do que esse teu olhar tentador, porque eu já ando cansada de esperar o dia em que você irá me descobrir, só para você, e mais ninguém.
                                                                            Andreza Reis.