Recompensando os dias faltosos, vê-se sentado no mesmo colchão, contando as mais doces inseguranças e provando os únicos lábios que realmente o interessam. Ela, tola, cometeu os mais ridículos enganos, quis pagar por isso... e pagou, procurando n'outro as mesmas coisas, mas o pecado e o castigo estavam lá. A forma como se querem mostra o quanto se necessitam, um sem o outro é frio, incolor e sem gosto... juntos são deliciosamente encantadores, discretos, incomuns e quando sozinhos despem-se, mostram-se só para as cortinas, sem a menor carência de pensar no que há depois das portas do quarto. A desculpa serve, e dizer que não acontecerá outro dia é confortável, desperta em ambos uma vontade de seguir, prosseguir acreditando, e muito. O mais incrível da retomada é que apesar de um passado displicente e agonizante o beijo basta e é a forma mais correta de se resolver absolutamente tudo, desde os primórdios da humanidade.
Andreza Reis.



