segunda-feira, 23 de maio de 2011

Açucarado

    Os solos a derrubam e os fios finos estremecem em luzes, num deleite forte e concreto. A serenata é deveras um pouco mais do que esperava, eles sempre surgem com essa mania incansável de suprir pobres expectativas.... ai, se todos fossem tão incríveis, e se a pausa do carrossel fosse tão delicadamente feroz como se faz. O brilho dos balões compactua com mais um entardecer sem causa e o que era motivo vira desculpa, e todas as desculpas são razões, ainda que bobas, todas razões para caírem em valsa. Tudo é apreço aumentado, se quer para si quem se admira e se o convívio anti-idolatrar o ser que se confunde em superioridade trata-se logo de arranjar algo mais grandioso para cair numa confusão razoavelmente mais agradável, mais plausível, junto da incerteza... Ah, mas isso... Isso não vem ao caso! basta invadir os olhos dela depois da serenata. O mundo achado. O desapego perdido. Tudo as mil.

                                                                           Andreza Reis.

sábado, 21 de maio de 2011

Chegar junto

    Viu o garoto das palavras, sentado ali. O sono perdido traduzia perfeitamente a ânsia de encontrá-lo, a visão de um mundo íntimo, particular, minimalista, de dois, só dos dois, restrito unicamente aos sonhadores banalmente rotulados de extintos, mas ainda existentes. A leveza das mãos dissolveu-se numa luz límpida e doce, tão açucarada quanto os lábios sincronizados em grito de guerra pelo amor, por saber cuidar com delicadeza da felicidade permanente que os perseguia, que sempre os perseguiu. O vento que provocou repulsa foi o mesmo que cantarolou no ouvido dela o "sim" do "corre atrás, na frente, do lado, por todos os cantos"... É fácil admitir que o vento tem razão, porque se toda a força fosse da natureza intervir com dedos melados de incerteza seria erro inadmissível, seria não existir, ainda bem que o ar em movimento sopra e suga, ainda bem que o ar em movimento é antimonotonia como os cadarços trocados por Maria e Joaquim, desde os cinco... Ou talvez ainda na maternidade.

                                                                           Andreza Reis.

Evaporar

    Escrevo com um medo imenso de rabiscar e não viver, temendo o fim do futuro que espero, antes mesmo do ponto de partida. Cuidei-me e ando me ajudando como posso, mas a invasão que se concretiza em mim toma toda a liberdade de estar bem e o poder de propagação de um conceito miúdo chamado felicidade. Quero adoecer e adormecer só, quero curar-me só, devo achar que é castigo e depois pedir perdão à minha própria mente por ter caluniado o meu eu sem pena e sem justa causa. Ah, quanta desconfiança, quantas fraturas expostas que só eu sou capaz de ver... Que pena de mim, que martírio por não ter feito diferente, um pessimismo atordoado vai digerindo o que me resta, me fazendo sofrer devagarzinho e cada sopro apaga uma vela que jamais se acenderá novamente. Cavem e me esperem, me esperem muito, muito mesmo. Não pretendo facilitar o meu caminho e chegar ao seu querer, minha vontade é minha, unicamente minha e o que me move agora é um negócio miúdo como a felicidade e talvez muito mais forte, falo de esperança... Enquanto existir que seja clichê,  que seja de verdade a última a morrer.
                                                                                                                             Andreza Reis.

domingo, 15 de maio de 2011

O Beijo para sempre

    Nasci o retrato da burguesia infeliz, resultado da intelectualidade mal construída, plutocrata desgostoso, nasci de carne, ossos e lataria já oxidada.

Traguei a fumaça duma fábrica desconhecida, lembro-me de gritos, bocas incessantes implorando piedade, gritando por um deus que merecia ser descrito em letra minúscula.

Vi placas estranhas, fotos utópicas, tudo tão distante da realidade que me acompanhava que me surpreendi ao ver filas interessadas naquilo que deveras era tão descartável.

Temi um homem que ficava em uma caixa, ele parecia real e me dizia como eu tinha que ser, ao mesmo tempo me manipulava, me achava feio, desajeitado, falava que eu estava fora de um grupo chamado "padrão", ah, mas eu corri! corri até quase ser pego por um bicho estranho e grande, que produzia uma fumaça parecida com a da fábrica.

Deitei-me numa grama verde, minha cabeça desconfigurada suplicava por conteúdo, e eu lá, vivendo do caco, no oco da escuridão imensa, insuportável ventre vazio chamado de mundo.
 
Ah, como me decepcionei! ah, como vi homens confundirem-se com cédulas...
 Não suportei.
Morri ao nascer.
Nasci ao morrer.

                                                                      Andreza Reis.



quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cabaret Voltaire

Gostinho de amarelo.
Molhando os olhos numa areia pálida e indivisível.
Vai saindo e cegando possibilidades negativas.
Encontrei uma banana elétrica. Panquecas.
Vou dormir na escuridão fluorescente, bailando de tonto.
Dadaiando por aí, perdendo ainda mais o non-sense que já tenho.
Queridinha, não o deixe acompanhadamente sozinho.
Ele não quer sua essência, quer a fórmula.
Cair equilibradamente devagarzinho numa fonte límpida de insensatez.
Esse é o nosso fraco, Otávio.
Vai maldizendo a beleza da bondade e provando pitadas de café amargo.
Assim é que se vai perto.
Cinema, ela não faz.
Depois dessa viagem vem uma estrada.
Teoricamente eu gostaria de quilometrar essa nossa imobilidade mórbida.
É tarde.
Teletransporte é como um amigo confortavelmente compreensível a atrasos.

                                                                    Andreza Reis.       


terça-feira, 5 de abril de 2011

Ah, se sêsse...

    Quem me dera preencher essa vida vazia com tardes de repouso, flores e beijos nos olhos. Quem me dera ver minha escrita sair das máquinas e se tornar ditado consciente, quem me dera morrer de música e saltitante de prazer poder chegar num lugar miúdo e cheio de doçura. Quem me dera gostar de romantismo, quem me dera concordar com o que é imposto, quem me dera não gostar de colecionar canecas, quem me dera não ver defeito em tudo. Quem me dera pensar mais claro, quem me dera achar chocolate branco uma delícia, quem me dera ter um partido político e levantar a bandeira, quem me dera gostar de gente, sol e gula de uma vez só. Quem me dera não acreditar em disco voador, quem me dera saber perguntar o que me vem à cabeça, quem me dera nunca esquecer o que fui e de quem foi comigo, quem me dera aprender coisas que nunca me ensinam, que me dera sentir meu ego bater nas nuvens, quem me dera não temer meu futuro com gosto de juízo final.
    Quem me dera parar de pensar em querer alguém que me dará o que eu sempre quero, chega de tantos desejos, antes de almejar a gente tem mesmo é que se permitir.

                                                                           Andreza Reis.

sábado, 2 de abril de 2011

Nós dois no altar

     Reis não podem ser sozinhos.
Cachorros precisam cruzar.
 A inconstância necessita da pausa.
O socialismo só tem graça junto da utopia.
Macarrão instantâneo precisa de tempo.
Jogo só é jogo se tiver placar.
Todo psicodelismo exige Mutantes.
Sorrisos imploram por pessoas.
A relatividade precisa de alguém que a acredite.
Reza sem fé não é crença.
Não há troféu sem campeão.
Corpos isolados não produzem calor.
Cada lembrança requer personagens.
Nietzsche sem por que e para quê não tem verdade.
Fotos necessitam de revelação.
Memória olfativa requer fragrância.
Para cada chato o perfeccionismo.
Para todo feminino um plural, e para todo masculino um singular inteiramente feminino.


                                                                          Andreza Reis. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Morfina em Copacabana

    O mar se abre por entre lábios e cada concretização é quebrada. Eu não vejo motivo para te acompanhar, pelo menos não agora. O preço que se paga pelo prazer é muito alto, minha disposição por pagar sempre foi explícita... mas e quando nada restar? e quanto tudo for poeira e pó? Quando a falta de conteúdo se fizer displicente eu gritarei pelos grãos e a palha seca há de queimar, mesmo que o fogo implore por água e alívio.
    A agulha me proporciona o que você nunca me desejou, por isso cruzo pernas, braços e vontades, eu que sempre quis o desapego prefiro a carne crua ao sangue nos olhos, porque a carne é muda e os olhos só ditam inverdades típicas do estado de abandono corrosivo em que você me deixou.
    As lembranças do dia logo desaparecem, flutuando como minha cabeça depois do caos. Mato minha cria, a faço respirar, quero que os vivos desempenhem muito mais que a função de simples zumbis, tudo nesse estado é involuntário, eu na verdade quero é nada, mas o corpo fala por mim, sem pedir permissão.
    Cambalear e me retirar do abismo não é salvação, salvação seria me atirar do alto das ondas, cair me molhando, rasgando por dentro, procurando uma forma de me redimir do mal que causei a mim e mais ninguém.
     A melancolia que se faz presente nas palavras é uma tradução honesta do que um dia os críticos da unanimidade planejam e não realizam, eu bem que queria fazer parte do estado de felicidade sóbrio, mas prefiro atingir meu nirvana com dor, suor, sofrimento e drama, muito drama, só pra te ver chorar quando apertar o power dessa droga de televisão.

                                                                            Andreza Reis.

terça-feira, 29 de março de 2011

Eu, solitariamente imaginável

     Outros a olham com tanta clareza e admiração que se duvida do simples motivo de tanto apego. É feio perceber o quanto sua função foi diminuída, mas cuidado grande amigo! Tua falta de experiência só prova o quão desprezível é o teu pseudo querer.“Todos aqueles tão disponíveis e afáveis” – pensa... Ela não quer, mas imagina o quanto o carinho das mãos multiplicadas seria bom. Aquele do teu lado é só mais um dos explícitos admiradores, ainda disfarça, mas já não adianta dizer que gosta mesmo é da amiga, se na verdade ele só quer de verdade é ter a tua princesa. Alguns soltam palavras doces por escrita, e no conteúdo sempre tudo o que ela quis um dia ouvir de você, mas não houve. Tua flor é tão bonita, e você nem a merece tanto assim, se merecesse faria por, ficaria a dispor o dia inteiro só por vê-la dormir no teu abraço que nunca foi deveras o que ela esperou, mas ainda assim aceitou de todas as formas ser chamada de tua. E o mais bonito dos olhos claros é ver que neles ainda existe a máxima vontade de fazer você dançar por entre sorrisos, neles ainda há vontade de nunca desistir daqui e continuar cuidando de você, mesmo que a reciprocidade seja vã.
                                                                           Andreza Reis.

domingo, 27 de março de 2011

Sadô-masô

    Endiabram-se as cortinas, virgens e a materialização da fé. Só a sobriedade da calada da noite sabe o quanto é tarde para carregar cadáveres. Eu do teu lado não concordo em aceitar condições, mas abro exceção se você resolver que seremos puramente Vênus. Sofrerei, você gritará e estaremos juntos, abrirei portas da tua vã ilusão e direi que amanhã tudo será Marte. Li nosso apocalipse faz uns dias, brinquei com tua fé de fidelidade mítica, mas só quero que não seja uma daquelas que suspira quando pensa em cadeiras afastadas, palavras com flores e demonstração de apego, saiba que o quanto quiser dizer que para mim só deseja o inferno, diga. Teu ar é fingido, carregado de todas as cruzes prováveis quando me vê, sem esquecer do peso nos olhos, desabando feito morro, consumido feito cinza, sem ser fênix. Queria tanto poder ser outro e não te decepcionar, mas nunca me acostumei com soluções de sorte, e fingir que te querer bem é bom não é tão confortável para mim quanto parece. Reclamo da vida, vivo a te perguntar se tanto doer se faz num soco daqueles de cair, desejo tanto ousar do que você me oferece que acabo perdendo tempo planejando o que os chicotes irão dizer, e quando se abrem os panos eles calam-se, transformam-se em nós. Trago a novidade de que ser contradição de afeto é tão delicioso quanto o frescor da tua carne promíscua, e me admiro é de nos usarmos tanto assim, sei que não significamos muita coisa e nunca fomos bons partidos, mas sei que bem melhor é perceber que não há o que se alcançar... pra nós dois só resta o penar de adivinhar o que virá depois da queda.

                                                                            Andreza Reis.

domingo, 20 de março de 2011

Lembrete de geladeira

Ame, depois deixe desgastar.
Faça, desfaça, só não faça por simplesmente fazer.
Mastige, deixe perder o gosto.
Corra da polícia, depois na São Silvestre.
Chame, desconvide.
Seja a flor, depois o diabo.
Comemore com lágrimas, depois use dentes e lábios.
Dê saliva e peça de volta.
Jogue para o alto e deixe cair.
Ouça e concorde.
Gesticule que não e diga que sim.
Vôe sem precisar de pára-quedas.
Seja blasé, depois só mais um.
Queira colo, depois coração.
Finja que não a conhece, chame-a para casar.
Ouça ruídos imaginários e crie letras.
Leia manuais que ensinem a quebrar todas as bugigangas domésticas.
Fique líder, depois manipulador.
Prefira você aos outros.
Ande descalço no sol.
Escolha sorvete por cor.
Brinque que dinheiro são folhas.
Faça parte, depois corte fatias.
Esteja frio e peça abraço.
Ah, não esqueça de comprar o leite!
Volto mais cedo.
Tenha um bom dia.

                                                                            Andreza Reis.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Décima segunda dimensão

Liberté, como és amarga!
Doce é a prisão.
Tu és difícil, carente de planos.
Já me basta, quero-te fora.

Visionariamente já não sou.
Tenha piedade, ser maior!
A imaturidade láctea me consome
não posso ser o que não tenho
ainda não posso dar.

Acenar vale mais.
Apertos são complexos.
Vão é o maoísmo
não quero sustentá-lo, nem puramente.

Habitar o vazio.
Desdenhar da honra propagada.
Nada me faz melhor
nada me faz
nem a face.

Que este espelho se rompa em solução!
Caos, me devore.
Inconstantemente contente
digo que já fui
já não sou mar.

                                                                            Andreza Reis.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Planinho

    Recompensando os dias faltosos, vê-se sentado no mesmo colchão, contando as mais doces inseguranças e provando os únicos lábios que realmente o interessam. Ela, tola, cometeu os mais ridículos enganos, quis pagar por isso... e pagou, procurando n'outro as mesmas coisas, mas o pecado e o castigo estavam lá. A forma como se querem mostra o quanto se necessitam, um sem o outro é frio, incolor e sem gosto... juntos são deliciosamente encantadores, discretos, incomuns e quando sozinhos despem-se, mostram-se só para as cortinas, sem a menor carência de pensar no que há depois das portas do quarto. A desculpa serve, e dizer que não acontecerá outro dia é confortável, desperta em ambos uma vontade de seguir, prosseguir acreditando, e muito. O mais incrível da retomada é que apesar de um passado displicente e agonizante o beijo basta e é a forma mais correta de se resolver absolutamente tudo, desde os primórdios da humanidade.

                                                                            Andreza Reis.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

E o coração fica da porta pra fora

    Devaneia, arrisca um trecho seco e cai na cama, enrola-se bem pouco, arranca os fios restantes e descansa tão lindamente que só já basta. Quem a escuta acha que deliciar-se ali é tudo, absolutamente tudo. E num segundo hipnotizado se vê domado, preso aos goles da saliva doce e a toda perfeição que o poder dos outros já não guarda. Gritam que a querem, imploram lábios e fazem promessas genuinamente elaboradas, promessas que qualquer outra mataria para sentir. Os olhos tontos provam o calor dos corpos, e quando já não há taças ela transita, descabela-se e esfrega-se em roupas que vê por frente, trás e todos os lados. Junta cacos, entra em carros alheios e no banco detrás solta-se, joga-se, balanceia um pouco,  sente o vento e ali faz-se seu último dia, arrepende-se só por ter dito que queria mais, e quando a olham pensam no quanto é ridículo ser fácil... ou no quanto é fácil ser ridículo.
                                                                            Andreza Reis.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tinindo trincando

    Já fomos samba, "rock'n'róu" de Chico e bossa, muita bossa. O broto era demais, e a "supimpalidade" das coisas era propagada num tremendo "paz e amor" e quando tudo mudou me rebelei, revolucionei, colei uma suástica na jaqueta de couro sem sequer saber o significado, me entreguei aos bagulhos e consumi fumaça. Quebrei guitarras em corações alheios, toquei baixo com palheta e usei óculos só para parecer um besouro como os outros. Fui do contra, às vezes da razão... mas nunca deixei de ser, deixei ser. Limitei-me a achar que um dia a massa ia ser massa, que os carros iam voar e as pessoas serem mais de conteúdo, mas sabe como é né ? é justamente nesse segundo de tempo que bate inveja dessa tal preguiça de pensar, é justamente nesse segundo de tempo que a gente vê esses tais "novos baianos" mudarem as coisas, quebrarem os limites da concordância pronominal, e serem no "passado, presente e particípio  o mistério do planeta". Mas agora de que serve a rebelião ? o que nos resta é aplaudir a geração dos cento e quarenta caracteres, por ficarem obsoletos e por realmente dizerem tudo o que tem a dizer, ou seja, nada.

                                                                            Andreza Reis.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Beijar o machucado

    O colo indicado num gesto e os braços abertos nunca lhe caíram tão bem. Qualquer coisa era melhor que aquilo, até mesmo a sopa, as gotinhas amargas e os sermões nunca escutados. Tinha doces olhos, voz delicada e um charme suficientemente encantador, como todas as outras, ou até mais... por simplesmente ser a única coberta por amor, desejos cumpridos e sonhos inocentes. As rodas haviam sido retiradas por coragem, qualidade que sempre falta a qualquer grandalhão na hora de resolver as coisas, e que ela, quase miniatura, havia adquirido de sobra. Olhou e correu, foi beijada e mimada enquanto escutava um unânime: "vai passar, meu bem!" Engraçado que é justamente nessas horas que a gente pede piedade, um pouquinho menos de sofrimento, muito carinho, mimo, uns mil colos, uma tonelada de doces e muita, mas muita vontade de encarar esse negócio contraditório que na infância a gente nem sequer intitula de vida, apenas deixa-o ser.

                                                                           Andreza Reis.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Adeus maria fulô

    Despiu-se, jovem, tola e dizendo adeus... seu coração estava mudando. Novidades são tão vãs e necessárias que quer provar, degustar, deliciar-se em corpos, copos, porções nunca antes conhecidas, exploradas. O amado é amargo, às vezes doce, tão igual e despretensioso, diferente dos outros mas sempre semelhante aos dois, é infantil, piadista... é fácil, tão fácil. Cheios de sussurros, códigos, linguagem inapropriada ao público alvo, não que seja brusca, é apenas um pouco difícil de se decodificar. Grita e implora um "mate-me" abafado, quase acabado, e diz cheia de convicção que esses serão os últimos endereços e essas as últimas cartas, mas que espera que ele saiba que já não há mais remetente.

                                                                             Andreza Reis

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O mundo não é mais igual ao meu

  Cansei. É, eu cansei. Já me bastam os risos forçados, olhares repetidos, e pensamentos paupérrimos. Hoje nem eu mesma estou me aguentando, muito menos aos outros. O “golpe final” resolveu me acertar em cheio dessa vez, mas eu sei que não será o último. No meu ingênuo apego a coisas insignificantes, coisas essas que pareciam o meu suporte, percebi que minha alma é bem menos previsível do que crêem, e muito mais avessa do que imaginam. Eu sou bem diferente do que eu penso ser.  Foi só a gota d’água para explodir uma tempestade dentro de mim, que me fez desacreditar em tudo, de uma vez só. Há mais de uma década, eu sou a mesma, a de idéias tortas e embaçadas, mas que para mim agora passam a representar outro sentido, talvez um novo destino, de palavras profundas e gestos intensos, onde eu finalmente (RE)VIVA algo novo, algo meu.

                                                  Catarina Muniz e B. Andressa

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Você sabe que tem

    O controle é todo seu, meu bem! Já que agora é dona, não haverá festas sem gostos, nem trilhas sem momentos, se você tem a leveza da pluma e o contraste misturado ao brilho tudo será melhor, não se contente, tudo será melhor. Acredito tanto em você que aposto, dou todas as minhas fichas, ainda que a intuição seja vã te confio todas as pequenas coisas, porque elas guardam a diferença exposta dentro de você. Você foge das outras, corre do clichê banalizado e tão automaticamente formador de opiniões, você sabe o que tem de autêntico, de autoral, e ainda bem que só eu consegui enxergar isso. Encho-te de presentes, todos os luxos e agrados, sou recompensado com tua voz, teu charme e tua indiferença... Tudo tão teu que nem me importo se um dia pertencerá a outros, enquanto for minha te observarei, apreciarei a menina dos olhos, aquela que nunca tive antes. A verdade é que a estrada que nos separa é longa, e quando pisco penso o quanto terei de andar, mas penso de novo e chego à conclusão de que se você tem sapatos confortáveis tudo se torna mais fácil.
                                                                            Andreza Reis.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Maleáveis como uma rocha, sensíveis como uma rosa

    Muitas coisas valem à pena. Risos, trechos, amores infinitos, lágrimas, filmes, odores, páginas, timbres, rostos, vícios, ventos. Coisas sem nexo algum, que refletem numa infinita combinação de sensações e prazeres. Coisas essas que compõem a cifra mutável que somos, e que muitas vezes toca conforme as fases da lua, inconstantes, mas que acabam por se repetir num ciclo. Talvez com pessoas diferentes, e intensidades diferentes, só que os medos e incertezas, serão sempre os mesmos, apenas bem mais camuflados. E é então quando descobrimos que não podemos fugir deles, no máximo, domá-los. Porque somos como somos, e negar isso, é acreditar numa falsa verdade na qual pessoas mudam outras.

                                                                     Catarina Buson.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Coração cheio de alma

     Os pais são seres amargos, impuros e mentirosos, tentam poupar sua cria da derrota, enquanto eles mesmos concederam-lhes a pior das perdas: o direito de morrer. Quando miniaturas, somos facilmente manipulados, mas quando crescemos é ainda pior, viramos enormes estátuas banhadas de inverdades, sonhos frágeis e palavras ocas. Eles não entendem porque precisamos do consumo excessivo, nos acham trapos gritando por uma costura melhor... E na verdade somos isso mesmo, eles nos conhecem desde sempre. Alguns tentaram não aceitar o que lhes foi oferecido, mas pobres coitados! Viram tudo desmoronar cedo demais, perderam o que não tinham... a vida se tornou literalmente uma droga, sem dó nem piedade, simplesmente uma droga. Outros já provaram toda a diversidade, largaram a fé sofrida e tão sã, escreveram a seco destinos cheios de compaixão, bateram a porta e simplesmente saíram do lar que nunca foi de verdade tão aconchegante... deixaram para trás aquela rotina careta, patética, incômoda. Os que se salvam mesmo são aqueles que permanecem debaixo das asas, aqueles que usufruem do colo quente e oferecido, os que se salvam mesmo são aqueles que se encarregaram de escutar mais e fazer menos, porque o conselho dos velhos sempre foi bem-vindo.

                                                                          Andreza Reis.

sábado, 8 de janeiro de 2011

My mistakes were made for you

     Aponta imperfeições o tempo todo, nunca olha para si... É duro ver que tudo está errado quando se está cego. Honestamente, não precisa de argumentos convincentes quando se é dono da razão, e talvez, a razão dela seja apenas você. Anda torto, dá passos incertos, é inconsequente, mas sabe que sempre faz  tudo na humilde intenção de agradar, lhe ganhar, para que você a aceite, como quiser. Acha que os outros não combinam, julga a desproporcionalidade, vive o romance alheio  e esquece-se de vocês... quando vê já é tarde, só carrega consigo a absoluta convicção de que enganos são perdoáveis. Um dia, meu caro, você cansará de suas birras, ciúmes, bipolaridade compulsiva, palavras rebeldes... Mas por favor! Não desista de amá-la ou pelo menos reconheça o quanto seus defeitos intoleráveis são despretensiosos, você sabe o quanto ela te ama...e que agora só resta querer.

                                                                            Andreza Reis.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Open

  Seguro de si, sem mágoas ou arrependimentos, viver tranquilamente é ter certeza de que a paz é um tipo de poder, que vai muito além de loucuras diárias ou fazer aquilo ou isto por simplesmente fazer. Cada um desses tem seus prazeres e particularidades, mas todos desejam algum dia encontrar alguém confortável, confiável, quase ou  inteiramente inexistente. A liberdade não é tão vã quanto se pensa, se desprender das correntes vai muito além de simplesmente estar com o corpo livre, se desprender significa encontrar-se novamente, é desejar a própria alma, é cuidar-se formalmente, não porque a sociedade impõe, mas  porque você se permite. Haverá quebras de telhados, tardes vermelhas e problemas significantes, mas nada será insuperável como antes, lhe foi dado o direito de se policiar, de recriar-se, e novas chances não surgem por acaso, aliás, o acaso é mais uma invenção de quem não soube como agir num momento de agonia, porque os fortes, os fortes acreditam mesmo é no destino, os fortes acreditam no que se constrói e não no que precisa ser simplesmente derrubado. 

                                                                            Andreza Reis.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

I need your heart beating next to my heart

    Tuas mãos me conhecem, me dedicam todos os mimos e amores, e sempre que as preciso  se transformam em minhas, tão minhas quanto tuas palavras doces, teu silêncio vago. Você tem minha alma, meus medos, minha aflição e todo o meu querer... Tem minhas lágrimas, meu sonhar, tem minhas falhas e exageros... Você tem os braços mais sinceros que já provei. O fim é tão amargo, é uma possibilidade cruel e inaceitável, o fim não é só cansar, o fim é desistir... E não me interessa desistir da nossa doçura, não me interessa acabar com o valor que completa e realmente importa. Você é dono do meu caminho, é dono das minhas escolhas e renúncias, você é dono da pureza, dono dos lábios, das incertezas... Você é dono de todo o pulsar, você é dono de mim. Nunca fui de outros, e jamais serei... Depois de você só me interessa o abismo, a escuridão, a morte... Depois de nós dois só me interessa o fim de mim.
                                                                                               Andreza Reis.