quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cabaret Voltaire

Gostinho de amarelo.
Molhando os olhos numa areia pálida e indivisível.
Vai saindo e cegando possibilidades negativas.
Encontrei uma banana elétrica. Panquecas.
Vou dormir na escuridão fluorescente, bailando de tonto.
Dadaiando por aí, perdendo ainda mais o non-sense que já tenho.
Queridinha, não o deixe acompanhadamente sozinho.
Ele não quer sua essência, quer a fórmula.
Cair equilibradamente devagarzinho numa fonte límpida de insensatez.
Esse é o nosso fraco, Otávio.
Vai maldizendo a beleza da bondade e provando pitadas de café amargo.
Assim é que se vai perto.
Cinema, ela não faz.
Depois dessa viagem vem uma estrada.
Teoricamente eu gostaria de quilometrar essa nossa imobilidade mórbida.
É tarde.
Teletransporte é como um amigo confortavelmente compreensível a atrasos.

                                                                    Andreza Reis.       


terça-feira, 5 de abril de 2011

Ah, se sêsse...

    Quem me dera preencher essa vida vazia com tardes de repouso, flores e beijos nos olhos. Quem me dera ver minha escrita sair das máquinas e se tornar ditado consciente, quem me dera morrer de música e saltitante de prazer poder chegar num lugar miúdo e cheio de doçura. Quem me dera gostar de romantismo, quem me dera concordar com o que é imposto, quem me dera não gostar de colecionar canecas, quem me dera não ver defeito em tudo. Quem me dera pensar mais claro, quem me dera achar chocolate branco uma delícia, quem me dera ter um partido político e levantar a bandeira, quem me dera gostar de gente, sol e gula de uma vez só. Quem me dera não acreditar em disco voador, quem me dera saber perguntar o que me vem à cabeça, quem me dera nunca esquecer o que fui e de quem foi comigo, quem me dera aprender coisas que nunca me ensinam, que me dera sentir meu ego bater nas nuvens, quem me dera não temer meu futuro com gosto de juízo final.
    Quem me dera parar de pensar em querer alguém que me dará o que eu sempre quero, chega de tantos desejos, antes de almejar a gente tem mesmo é que se permitir.

                                                                           Andreza Reis.

sábado, 2 de abril de 2011

Nós dois no altar

     Reis não podem ser sozinhos.
Cachorros precisam cruzar.
 A inconstância necessita da pausa.
O socialismo só tem graça junto da utopia.
Macarrão instantâneo precisa de tempo.
Jogo só é jogo se tiver placar.
Todo psicodelismo exige Mutantes.
Sorrisos imploram por pessoas.
A relatividade precisa de alguém que a acredite.
Reza sem fé não é crença.
Não há troféu sem campeão.
Corpos isolados não produzem calor.
Cada lembrança requer personagens.
Nietzsche sem por que e para quê não tem verdade.
Fotos necessitam de revelação.
Memória olfativa requer fragrância.
Para cada chato o perfeccionismo.
Para todo feminino um plural, e para todo masculino um singular inteiramente feminino.


                                                                          Andreza Reis. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Morfina em Copacabana

    O mar se abre por entre lábios e cada concretização é quebrada. Eu não vejo motivo para te acompanhar, pelo menos não agora. O preço que se paga pelo prazer é muito alto, minha disposição por pagar sempre foi explícita... mas e quando nada restar? e quanto tudo for poeira e pó? Quando a falta de conteúdo se fizer displicente eu gritarei pelos grãos e a palha seca há de queimar, mesmo que o fogo implore por água e alívio.
    A agulha me proporciona o que você nunca me desejou, por isso cruzo pernas, braços e vontades, eu que sempre quis o desapego prefiro a carne crua ao sangue nos olhos, porque a carne é muda e os olhos só ditam inverdades típicas do estado de abandono corrosivo em que você me deixou.
    As lembranças do dia logo desaparecem, flutuando como minha cabeça depois do caos. Mato minha cria, a faço respirar, quero que os vivos desempenhem muito mais que a função de simples zumbis, tudo nesse estado é involuntário, eu na verdade quero é nada, mas o corpo fala por mim, sem pedir permissão.
    Cambalear e me retirar do abismo não é salvação, salvação seria me atirar do alto das ondas, cair me molhando, rasgando por dentro, procurando uma forma de me redimir do mal que causei a mim e mais ninguém.
     A melancolia que se faz presente nas palavras é uma tradução honesta do que um dia os críticos da unanimidade planejam e não realizam, eu bem que queria fazer parte do estado de felicidade sóbrio, mas prefiro atingir meu nirvana com dor, suor, sofrimento e drama, muito drama, só pra te ver chorar quando apertar o power dessa droga de televisão.

                                                                            Andreza Reis.