O mar se abre por entre lábios e cada concretização é quebrada. Eu não vejo motivo para te acompanhar, pelo menos não agora. O preço que se paga pelo prazer é muito alto, minha disposição por pagar sempre foi explícita... mas e quando nada restar? e quanto tudo for poeira e pó? Quando a falta de conteúdo se fizer displicente eu gritarei pelos grãos e a palha seca há de queimar, mesmo que o fogo implore por água e alívio.
A agulha me proporciona o que você nunca me desejou, por isso cruzo pernas, braços e vontades, eu que sempre quis o desapego prefiro a carne crua ao sangue nos olhos, porque a carne é muda e os olhos só ditam inverdades típicas do estado de abandono corrosivo em que você me deixou.
As lembranças do dia logo desaparecem, flutuando como minha cabeça depois do caos. Mato minha cria, a faço respirar, quero que os vivos desempenhem muito mais que a função de simples zumbis, tudo nesse estado é involuntário, eu na verdade quero é nada, mas o corpo fala por mim, sem pedir permissão.
Cambalear e me retirar do abismo não é salvação, salvação seria me atirar do alto das ondas, cair me molhando, rasgando por dentro, procurando uma forma de me redimir do mal que causei a mim e mais ninguém.
A melancolia que se faz presente nas palavras é uma tradução honesta do que um dia os críticos da unanimidade planejam e não realizam, eu bem que queria fazer parte do estado de felicidade sóbrio, mas prefiro atingir meu nirvana com dor, suor, sofrimento e drama, muito drama, só pra te ver chorar quando apertar o power dessa droga de televisão.