Endiabram-se as cortinas, virgens e a materialização da fé. Só a sobriedade da calada da noite sabe o quanto é tarde para carregar cadáveres. Eu do teu lado não concordo em aceitar condições, mas abro exceção se você resolver que seremos puramente Vênus. Sofrerei, você gritará e estaremos juntos, abrirei portas da tua vã ilusão e direi que amanhã tudo será Marte. Li nosso apocalipse faz uns dias, brinquei com tua fé de fidelidade mítica, mas só quero que não seja uma daquelas que suspira quando pensa em cadeiras afastadas, palavras com flores e demonstração de apego, saiba que o quanto quiser dizer que para mim só deseja o inferno, diga. Teu ar é fingido, carregado de todas as cruzes prováveis quando me vê, sem esquecer do peso nos olhos, desabando feito morro, consumido feito cinza, sem ser fênix. Queria tanto poder ser outro e não te decepcionar, mas nunca me acostumei com soluções de sorte, e fingir que te querer bem é bom não é tão confortável para mim quanto parece. Reclamo da vida, vivo a te perguntar se tanto doer se faz num soco daqueles de cair, desejo tanto ousar do que você me oferece que acabo perdendo tempo planejando o que os chicotes irão dizer, e quando se abrem os panos eles calam-se, transformam-se em nós. Trago a novidade de que ser contradição de afeto é tão delicioso quanto o frescor da tua carne promíscua, e me admiro é de nos usarmos tanto assim, sei que não significamos muita coisa e nunca fomos bons partidos, mas sei que bem melhor é perceber que não há o que se alcançar... pra nós dois só resta o penar de adivinhar o que virá depois da queda.
Andreza Reis.
Andreza Reis.

Nenhum comentário:
Postar um comentário