quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Beijar o machucado

    O colo indicado num gesto e os braços abertos nunca lhe caíram tão bem. Qualquer coisa era melhor que aquilo, até mesmo a sopa, as gotinhas amargas e os sermões nunca escutados. Tinha doces olhos, voz delicada e um charme suficientemente encantador, como todas as outras, ou até mais... por simplesmente ser a única coberta por amor, desejos cumpridos e sonhos inocentes. As rodas haviam sido retiradas por coragem, qualidade que sempre falta a qualquer grandalhão na hora de resolver as coisas, e que ela, quase miniatura, havia adquirido de sobra. Olhou e correu, foi beijada e mimada enquanto escutava um unânime: "vai passar, meu bem!" Engraçado que é justamente nessas horas que a gente pede piedade, um pouquinho menos de sofrimento, muito carinho, mimo, uns mil colos, uma tonelada de doces e muita, mas muita vontade de encarar esse negócio contraditório que na infância a gente nem sequer intitula de vida, apenas deixa-o ser.

                                                                           Andreza Reis.

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