Devaneia, arrisca um trecho seco e cai na cama, enrola-se bem pouco, arranca os fios restantes e descansa tão lindamente que só já basta. Quem a escuta acha que deliciar-se ali é tudo, absolutamente tudo. E num segundo hipnotizado se vê domado, preso aos goles da saliva doce e a toda perfeição que o poder dos outros já não guarda. Gritam que a querem, imploram lábios e fazem promessas genuinamente elaboradas, promessas que qualquer outra mataria para sentir. Os olhos tontos provam o calor dos corpos, e quando já não há taças ela transita, descabela-se e esfrega-se em roupas que vê por frente, trás e todos os lados. Junta cacos, entra em carros alheios e no banco detrás solta-se, joga-se, balanceia um pouco, sente o vento e ali faz-se seu último dia, arrepende-se só por ter dito que queria mais, e quando a olham pensam no quanto é ridículo ser fácil... ou no quanto é fácil ser ridículo.
Andreza Reis.

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