sábado, 21 de maio de 2011

Chegar junto

    Viu o garoto das palavras, sentado ali. O sono perdido traduzia perfeitamente a ânsia de encontrá-lo, a visão de um mundo íntimo, particular, minimalista, de dois, só dos dois, restrito unicamente aos sonhadores banalmente rotulados de extintos, mas ainda existentes. A leveza das mãos dissolveu-se numa luz límpida e doce, tão açucarada quanto os lábios sincronizados em grito de guerra pelo amor, por saber cuidar com delicadeza da felicidade permanente que os perseguia, que sempre os perseguiu. O vento que provocou repulsa foi o mesmo que cantarolou no ouvido dela o "sim" do "corre atrás, na frente, do lado, por todos os cantos"... É fácil admitir que o vento tem razão, porque se toda a força fosse da natureza intervir com dedos melados de incerteza seria erro inadmissível, seria não existir, ainda bem que o ar em movimento sopra e suga, ainda bem que o ar em movimento é antimonotonia como os cadarços trocados por Maria e Joaquim, desde os cinco... Ou talvez ainda na maternidade.

                                                                           Andreza Reis.

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