segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Elementos nocivos no ar

      Tudo é tão segundo, por vezes canso desse piscar de olhos desritmado, e só de pensar em perdê-lo sinto que me acabo por todas as partes. Sempre é cedo, ninguém pensa se depois haverá tempo, e tudo fica tão tarde, escuro, e vazio não preenchido, quase que propositalmente. A gente espera porque quer, acha que vai dar certo crê nas coisas mais absurdas e vê as mais sinceras se desmancharem rápido, rápido, rápido, tão qual gelo derrubado em asfalto ardente. Amanhã tudo vai dar certo, amanhã é outro dia, amanhã eu vou fazer o que não fiz quando devia, amanhã é confiança... Mas amanhã também é aposta,  é lance de dados, amanhã é incerto, passageiro e talvez até inexistente... Amanhã não viu o trem que passou ontem, e você, você é só mais um dos que se recusam a acreditar que hoje, enquanto houver respirar, sua boca emitindo algum  som, sua mão segurando a de quem se ama por algum motivo, seu coração pulsando (mesmo que você esteja só dormindo) é a tradução mais nítida de que isso é vida, e ela realmente não depende de você, ela acontece agora e porque quer, e não espere muito, não espere mesmo! porque talvez ainda hoje ela canse de você, só isso, mais nada.
                                                                           
                                                                           Andreza Reis.

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