Estranho enquanto pessoa, insignificante enquanto ser, vazio enquanto espírito. Seus sonhos cabem em uma caixa de fósforos, a mesma usada para acender o cigarro. Preenchido por incerteza, a síndrome da estranheza lhe cai como uma luva. Poderia voar, mas não tem motivos para tal, poderia cantar, mas a voz é desprezível aos próprios ouvidos. Poderia amar, mas amar é para os fracos. Poderia beber, e bebe. Envergonha-se disso. Bebe denovo. Nunca desejou tanto ser o nada.
O abismo na sua frente não o assusta, o que o apavora é continuar com o abismo dentro de si.
Catarina Buson.

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