Possibilidades me consomem. Acho-te tão anormal quanto a cura. Ontem, deitei-me e dormi ao conversar com esses tais objetos inanimados, eles são tão meus amigos quanto você, e talvez me desejem até mais do que sua própria vontade. O jardim era tão bonito, e pássaros verdes me traziam notícias de um mundo sóbrio, ridículo e desinteressante, achei tudo aquilo tão piada que meu riso estendeu-se por horas vendo a infelicidade dos felizes.
Tenho manias, e meus vícios são mais eu do que mim mesmo, me traduzem e me denunciam o tempo todo, falam tanto de mim que mando-os calarem as bocas, mas que chatice! São incansáveis meninos, apesar de serem velhos... Tão velhos. Mudo o tempo todo, agora, por exemplo, estou mudando. Sonho todos os dias, me teletransporto e me encontro, acho tão bom! mas mesmo assim, os pássaros verdes me perseguem, e me ditam as notícias do mundo clichê, a verdade é que já cansei de escutá-los faz um tempo, na verdade desde que encontrei esse poço de prazer chamado loucura dentro de mim. E minha fuga é reação, porque todo ser é incompleto sem insânia, mas agora, agora me desculpem, pois os pássaros me chamam novamente e falam de normalidade... Mas que palavra estranha! Nunca traduziram isso para mim.
Andreza Reis.

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